Dá para usar dados estratégicos e de clientes no Claude Code sem entregar conteúdo para a Anthropic? Análise técnica, com fontes oficiais, e o desenho de onde cada dado realmente vive.
Seus dados, seu perímetroSim, com controles — faz sentido estender ao Claude Code via Bedrock a mesma permissão de dados confidenciais que vocês já concedem a S3, Lambda e outros serviços AWS.
No Bedrock, prompts, código e respostas são processados no perímetro da AWS, em contas de deployment operadas pela própria AWS; a Anthropic disponibiliza o modelo, mas não acessa prompts, respostas, logs ou a conta do cliente. A condição é tratar o Claude Code como qualquer outro serviço AWS sensível: IAM com menor privilégio, auditoria, retenção curta, modelos fixados, Guardrails quando aplicável e tráfego não essencial do CLI desligado.
A regra atual de vocês — não usar dados estratégicos no Claude Code — assume que o conteúdo vai para a Anthropic. Isso é verdade no uso direto pela infraestrutura Anthropic, salvo contratos específicos como ZDR. Via Amazon Bedrock, o desenho muda: a inferência roda dentro da AWS, e o provedor do modelo não tem acesso ao que entra e sai. Abaixo, o que confirmamos nas documentações oficiais da AWS e da Anthropic.
Tudo dentro do retângulo tracejado fica no limite operacional de vocês com a AWS. Prompts e código viajam criptografados (TLS 1.2+) para o Bedrock; o modelo roda em contas de deployment operadas pela AWS. A Anthropic fica de fora: não vê conta, logs nem conteúdo.
No Bedrock, o modelo roda em contas operadas pela própria AWS. O provedor do modelo não tem acesso a essas contas, aos logs nem aos prompts e respostas. A AWS é o operador de dados — a Anthropic só disponibiliza o modelo.
Nem AWS nem Anthropic usam seu conteúdo para treinar modelos. O programa de opt-in de treino da Anthropic, inclusive, não se aplica a Bedrock ou Vertex.
O Bedrock não guarda prompts e respostas a menos que vocês habilitem o Invocation Logging, direcionado a um bucket S3 ou CloudWatch da própria empresa — útil para auditoria interna e sob seu controle.
Criptografia em repouso com chaves gerenciadas pela AWS, com a opção de usar chaves próprias via AWS KMS (CMEK) quando houver exigência de controle de chave.
Ao rodar via Bedrock no fluxo padrão, relatório de erros e bug reporting vêm desligados por padrão; métricas operacionais também ficam desligadas, salvo cenários host-managed mais novos em que a própria plataforma pode habilitar métricas e respeitar o opt-out por DISABLE_TELEMETRY. Nenhum conteúdo, caminho de arquivo ou prompt é enviado à Anthropic por telemetria. Restam duas exceções a tratar:
O comando /feedback, nesse modo, grava o relatório localmente em vez de transmiti-lo. Para risco residual mínimo, combine CLAUDE_CODE_DISABLE_NONESSENTIAL_TRAFFIC=1 com DISABLE_TELEMETRY=1 e, se a política exigir bloquear até a checagem de hostname do WebFetch, configure skipWebFetchPreflight junto com regras de permissão para domínios permitidos.
O canal com a AWS é seguro. O ponto de atenção real está na máquina do desenvolvedor: o Claude Code mantém transcrições de sessão em texto puro em ~/.claude/projects/, por 30 dias por padrão.
cleanupPeriodDays para algo entre 1 e 7 dias.São dois ajustes simples que fecham a principal superfície que fica fora do perímetro AWS.
Por padrão o Bedrock não loga conteúdo; se vocês ligarem o Invocation Logging para auditoria, esses logs passam a conter prompts e respostas — então tratem o bucket de destino com o mesmo rigor de qualquer dado sensível (acesso restrito e retenção curta).
Outro detalhe atual: o logging de invocação captura chamadas pelo endpoint bedrock-runtime. Se a empresa optar pelo endpoint Mantle do Bedrock, valide a observabilidade separadamente, porque o logging padrão de invocação ainda não cobre esse caminho.
O Bedrock é cobrança por uso ("taxímetro"): tokens de entrada e saída, faturados na conta AWS que vocês já têm. Como um assistente agêntico faz várias chamadas seguidas para varrer repositórios e rodar testes, o consumo escala rápido.
As variáveis abaixo apontam o Claude Code para o Bedrock na sua conta e travam todo o tráfego não-essencial.
# Provedor: roteia a inferência via Amazon Bedrock export CLAUDE_CODE_USE_BEDROCK=1 export AWS_REGION=sa-east-1 # valide a disponibilidade do modelo/região # Modelo via inference profile (recomendado p/ custo e roteamento) export ANTHROPIC_MODEL="arn:aws:bedrock:sa-east-1:<conta>:application-inference-profile/<id>" # Trava qualquer tráfego não-essencial para a Anthropic export CLAUDE_CODE_DISABLE_NONESSENTIAL_TRAFFIC=1 export DISABLE_TELEMETRY=1 export DISABLE_ERROR_REPORTING=1 export DISABLE_FEEDBACK_COMMAND=1
E, no settings.json do Claude Code, encurte a retenção do cache local de sessões:
{
"cleanupPeriodDays": 7,
"skipWebFetchPreflight": true
}
Na autenticação, prefira AWS IAM Identity Center / SSO com credenciais temporárias — uma role escopada apenas aos modelos Claude que o time vai usar, com CloudTrail ligado para auditoria. Para rollout em equipe, fixe versões de modelo ou application inference profiles, porque aliases podem mudar ou não estar disponíveis em todas as contas.
Quando a intenção for usar dados reais de clientes, adicione um guardrail operacional: bases de staging/read-only, amostras mínimas, permissões de banco com escopo por projeto e proibição explícita de colar segredos ou tokens no prompt.
Se vocês já aceitam o risco AWS para dados confidenciais, o Claude Code via Bedrock entra no mesmo limite de confiança corporativo — com a vantagem de que a Anthropic não vê o conteúdo. Sugerimos um piloto com um grupo reduzido para calibrar consumo, validar região/modelos, testar Guardrails e homologar a configuração de telemetria, logging e retenção. Ficamos à disposição para desenhar as políticas de segurança e o monitoramento de custo.